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As 6 mentiras contadas pelos participantes do marketing multinível (TelexFree, BBOM, Herbalife, Multiclick)

TF
Tenho uma relação de amor e ódio com marketing multinível (MMN, na sigla brasileira, ou MLM, na sigla inglesa de “Multilevel Marketing“). Odeio essa merda por motivos óbvios — é uma pilantragem chefiada por picaretas que vitimizam pessoas ingênuas –; amo porque não consigo ignorar a parada.
Simplesmente não consigo. Sempre que alguém menciona MMN eu tenho que entrar na discussão. É quase uma obsessão.
Por isso, preparei esta listinha de lorotas típicas que os participantes desses esquemas gostam de contar por aí quando tentam convencer incautos. Tendo lido esse texto, você JAMAIS ficará sem resposta quando aquele seu amigo mala tentar te recrutar pra esses lixos usando um suposto “bom argumento” a favor de MMN.
1) “MMN não é uma pirâmide…”
Erradíssimo. Aliás, o simples fato de que é preciso enfatizar distinção é um indício de má índole do sistema.
MMN é uma pirâmide; este modelo de negócio tem todos os sintomas clássicos:
  • Ênfase em recrutamento desenfreado (geralmente empregando “seminários” onde contratam “distribuidores/divulgadores” em massa, sem qualquer critério — se é tão boa oportunidade, por que é tão fácil entrar…?);
  • Promessa de dinheiro fácil (trabalhe sem sair de casa! Apenas postando anúncios na internet! Gaste apenas duas horas por dia!);
  • Uso ostensivo de símbolos de status/premiações para convencer novos recrutas do potencial de carreira.
A distinção “mas é MMN, não pirâmide” nada mais é que uma ginástica semântica. Você pode dar o nome que quiser ao esquema, mas o que realmente define sua identidade é a forma como ele se comporta.
E MMN se comporta exatamente como pirâmide.
2) “…porque tem produtos!”
Você já conheceu alguém que use produtos da BBOM, ou Herbalife, ou TelexFree, ou qualquer uma dessas empresas e que não seja TAMBÉM divulgador dela? Alguém QUE NÃO FAÇA PARTE DA EMPRESA já te recomendou o serviço da TelexFree, por exemplo, dizendo ser “excelente”…?
Amigos recomendam produtos e serviços pros outros o tempo todo, e no entanto isso nunca acontece com produtos e serviços supostamente sendo vendidos por empresas de MMN — a menos que o sujeito faça parte da pirâmide.
bbom
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Os únicos que realmente usam produtos dessas empresas são os seus participantes, e olhe lá — porque a grande maioria do público em geral sequer sabem o que eles comercializam.
E como isso acontece? Como é que o produto de uma empresa com tantos divulgadores é tão desconhecido…?
O que empresas de MMN realmente vendem é a esperança de liberdade financeira. É por isso que 99% dos anúncios delas enfatizam a oportunidade de trabalhar lá, e não o produto em si.
telexfree
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Se você acha que estou sendo tendencioso, faça uma busca no Google Imagens com o nome de qualquer MMN. Compare a proporção de anúncios do PRODUTO (que eles orgulhosamente alegam tratar-se da distinção primordial entre MMN e pirâmides), e anúnios de recrutamento.
3) “Marketing Multinível é ensinado em Harvard!”
Não. Isto jamais aconteceu.
A verdade é que Harvard, como qualquer faculdade, tem matérias que tratam de inúmeros assuntos como “case studies”. Um desses case studies chama-se “Causes of Failure in Network Organizations“, de 1992 — um estudo com óbvio tom negativo sobre esse tipo de negócio. Mary Kay Inc.: Direct Selling and the Challenge of Online Channels, de 2004, foi outro case study similar — com conclusão igualmente NEGATIVA.
Dizer que a prestigiosa faculdade ensina ou endossa Marketing Multinível por ter publicado um estudo sobre o modelo é como dizer que seu professor de história aprova o Holocasto por dar uma aula sobre o assunto. Foi uma mentira inventada por oportunistas e repetida por gente ignorante que não verifica a informação.
Essa lorota existe já faz um bom tempo; a faculdade já se pronunciou sobre isso em 1995, numa matéria do Wall Street Journal.
Desafie o cara que te falou isso a procurar o código da matéria sobre MMN no site da Harvard. Ou pelo menos a achar o nome do curso.
[ ADENDO ]
Alguns proponentes do marketing multinível miram um pouco a baixo e apenas comentam que há cursos de Marketing Multinível em faculdades nos EUA, como fez o @CarlinhosTroll neste vídeo (aos 11min30seg). O objetivo de dizer isso é conferir legitimidade ao modelo, afinal, ninguém daria um curso se o material de estudo do curso não fosse válido, não é mesmo?
Vamos esquecer brevemente que também existem faculdades de ufologia, de leitura de tarô, de astrologia, e que isso não significa que o material ensinado tem validade.
Vamos esquecer que pra citar este fato, o vlogger usou uma imagem photoshopada que omite um parêntese importante na matéria — a matéria chama MMN explicitamente de “piramide”:
degree
Imagem do vídeo
ss
Screenshot da matéria, sem photoshop. Perceba a diferença.
Mesmo que ignoremos TUDO ISSO, o fato inegável é que a tal faculdade oferece um curso de míseras 3 horas de duração de MMN. Em comparação, demora 18  meses pra acompanhar todas as aulas, e 3 anos pra obter um diploma de leitura de tarot (Dê um Ctrl + F e coloque “18 months” pra achar o trecho que menciona duração do curso).
Resumo: como muitas outras mentiras do MMN, obviamente o cara não avalia a informação que recebe: ele ouve algo em que ele quer acreditar, e então promove — sem se informar desses detalhes que mudam completamente a história.
A propósito: o Carlinhos diz que os EUA “apóia” marketing multinível porque uma faculdade chinfrim oferece um curso de MMN de 3 horas de duração (um nonsequitur absurdo). Enquanto isso existe relatório oficial do FTC (Federal Trade Commission, órgão governamental que regularia o mercado) condenando o modelo MMN.
Continua achando que os EUA “apóiam” MMN?
4) “Mas seu emprego/governo do nosso país é uma pirâmide também, se for por isso!”
Não. Em um emprego legítimo, você não precisa pagar pra participar. Não é obrigado a comprar o produto da empresa. Não precisa adesivar seu carro com a marca da firma. Não precisa tentar convencer todos que você conhecem a entrar também. Você não sente a necessidade de dizer pra todo mundo que seu chefe é MUITO rico.
E da mesma forma, nenhum político fica tentando convencer outros cidadãos a se candidatarem a cargos públicos.
Embora essas estruturas possam aparentemente ter formatos similares, é preciso entender POR QUE elas tem esse formato. Seu departamento só tem um chefe porque o cargo não requer muito mais que isso; da mesma forma como um país precisa de mais eleitores que deputados, e de mais deputados do que presidentes.
Por outro lado, MMNs tem esse formato porque há um ímpeto em recrutar todo mundo que eles veem pela frente — algo que não acontece no cenário político, ou na empresa em que você trabalha.
Percebe a diferença…?
5) “Não precisa recrutar ninguém se você não quiser!”
E no entanto isso é o que todos os participantes fazem. Porque como já ficou claro, MMNs não tem produtos — eles têm disfarces para que a prática de pirâmide não fique mais evidente. A única forma de fazer dinheiro nesses negócios é recrutando, e por isso a cultura de “ENTRE AGORA GANHE DINHEIRO JÁ” é predominante em MMN.
6) “Nós continuamos recrutando porque toda empresa faz isso, ou a Coca Cola vai um dia parar de vender refrigerante?”
Essa mentira revela um detalhe curioso sobre a grandíssima maioria dos proponentes de MMN — eles não tem lá um intelecto invejável, e portanto são incapazes de fazer analogias que façam sentido.
Por mais bizarro que esse ponto possa parecer, ele é o argumento central deste vídeo em que um sujeito chamado Junior Multinível responde a este meu vídeo. No meu vlog (perceba aliás que ele pensa que “Daily Vlog” é meu nome, apesar do fato de que eu digo meu nome no vídeo, confirmando a primeira frase deste item), explico que se MMN fosse como qualquer outra empresa, chegaria o ponto em que contratar tantos empregados não seria mais necessário pois já se atingiu o limite operacional.
O sujeito do vídeo — que até onde sei tem certa fama nessa cena MMN — explica que a Coca Cola nunca parará de vender refrigerante, logo, é por isso que a TelexFree não para de recrutar distribuidores. Isso é um nonsequitur absurdo; não estou criticando a TelexFree por vender seu VOIP, e sim por recrutar agressivamente novos vendedores.
A comparação seria válida se a Coca Cola tentasse ativamente recrutar distribuidores com um ímpeto similar ao das empresas de MMN, e sabemos que essa correlação é falsa.
As confusões legais recentes da TelexFree e da BBOM reiteram o que qualquer pessoa com bom senso já sabe (são furadas) e praticamente garantem que o uso eufemístico do termo “marketing multinível” vai em breve perder sua pouca legitimidade. Prevejo que em breve esse tipo de esquema passará a ser chamado por outro nome.
Mas não se deixe enganar por uma mudança de rótulo; se o negócio se vende como uma excelente oportunidade e envolve recrutar outras pessoas, passe longe.
Se algum parente ou amigo seu pensa em entrar nessas merdas, mande este link pra ele.

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