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O que os gatos pensam de nós?

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Eles estão junto a nós por 9.500 anos, existem cerca de três gatos para cada cachorro no mundo (e provavelmente uma infinidade de vídeos online sobre gatos para cada um sobre cachorro), e nós ainda sabemos muito pouco sobre esses felinos que tanto amamos.
Por exemplo, o que eles pensam sobre nós? Segundo o especialista em comportamento do gato da Universidade de Bristol (Reino Unido) e autor do novo livro “Cat Sense” (em tradução livre, “Senso Felino”) John Bradshaw, nossos gatos de estimação não nos entendem como os cães fazem (precisava de um especialista para saber disso?).
“Existem muitas pesquisas sobre cães e como eles interagem com as pessoas. É muito claro que os cães nos veem como sendo diferentes deles: assim que veem um ser humano, eles mudam seu comportamento. A forma como um cão brinca com um ser humano é completamente diferente do jeito que brinca com outro cão”, explica Bradshaw.
O pesquisador já estudou gatos domésticos, livres e em abrigos animais para entender como eles interagem uns com os outros e deduzir sua estrutura social.
“Nós ainda não descobrimos nada sobre o comportamento do gato que sugere que eles nos veem de forma diferente quando estão socializando com a gente. Eles, obviamente, sabem que nós somos maiores do que eles, mas não parecem ter adaptado seu comportamento social. Colocar o rabo no ar, se esfregar em nossas pernas e sentar-se ao nossos lado são os exatos mesmos comportamentos o que os gatos têm um com o outro”, afirma o especialista.
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Será que os gatos se consideram superiores a nós (tenho certeza de que essa é a impressão de muitos donos!)?
De acordo com Bradshaw, provavelmente não. Eles devem pensar que somos desajeitados: os gatos normalmente não tropeçam nas pessoas, mas nós tropeçamos neles. “Mas não acho que eles pensam em nós como seres burros e estúpidos, já que os gatos não se esfregam em um outro gato que é inferior a eles”, diz.

Criaturas inteligentes

Os gatos são animais muito inteligentes. Eles aprendem especificamente como seus proprietários são e podem tentar usar sons para conseguir o que querem. Geralmente, eles aprendem o que funciona com cada pessoa na casa em que vivem. Eles sabem que um membro da família é mais propenso a se levantar às 4 da manhã para dar-lhes comida, por exemplo.
Isso não significa que eles sempre vão nos escravizar, e que não temos chances de dominá-los (eu sei, você já tinha perdido as esperanças). Bradshaw argumenta que gatos podem aprender o que não devem fazer.
“Se o seu gato tiver desenvolvido um hábito [de subir na mesa da cozinha, por exemplo] que você não gosta, existem maneiras limitadas de evitá-lo. Você poderia usar um brinquedo de mola, de modo que quando o gato pulasse em cima de alguma coisa, o brinquedo também saltasse no ar – o gato não gosta disso e volta para baixo. Outra estratégia razoavelmente benigna é a utilização de uma pistola d’água. Mas certifique-se de que o gato não perceba que é você que a está usando. Os gatos não perdoam, e uma vez que eles percebem que uma pessoa está lhes causando ansiedade ou mágoa, eles mantêm distância”, esclarece.

Alerta importante

Muitos gatos de estimação podem ficar estressados sem seus proprietários perceberem, e isso afeta a qualidade de suas vidas mentais e sua saúde.
Bradshaw explica que nem sempre gatos se dão bem com outros gatos. Os donos não devem forçar um relacionamento entre seus bichos de estimação, se tiverem mais de um.
Problemas comuns em gatos, como dermatite e cistite (inflamação da bexiga), também são agravados pelo estresse psicológico.
Uma solução é examinar o estilo de vida social do gato. Por exemplo, isso pode significar certificar-se de que dois gatos que não se dão bem vivam em lados opostos da casa. Muitas vezes o problema desaparece. Veja outras dicas aqui.
Por fim, fica a mensagem de Bradshaw para os donos de gatos: “Reconheça que os gatos são animais sociáveis até certo ponto, mas não são sociáveis na medida em que os cães são. Muitas pessoas que têm um gato decidem que gostariam de ter outro, achando que dois gatos são duas vezes mais divertido. Mas os animais podem não ver dessa forma”. [NatGeo]

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